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Jac, um solitário navegador, faz a travessia do oceano Atlântico, desde a África, num barco à remo, sem rádios comunicadores, e ancora, 97 dias depois, numa praia do litoral da Bahia. Encontra uma vila abandonada, um pescador perturbado, e um enorme cemitério, onde boa parte da população está lá enterrada.



Jac
Ficção Adulta
Inédito, 1997
220 páginas.



Leia alguns trechos do livro...


     Jac  remava   incessantemente,    os    músculos    não
respondiam  mais  ao  seu  corpo,  apenas  aos olhos, verdes
como  cristais,  que  avistavam  a  praia,  a tão distante e
esperada praia, que já procurava há muitos dias.            
     O céu  era  de  um  azul  avassalador,  o  mar  soprava
uma   brisa   morna   e   as    ondas,    para    sorte   do
navegador,    não   seriam  uma  barreira,  elas  quase  não
existiam  naquele  momento.  O  mar  e  a  brisa estavam tão
calmos    que    poderia   finalmente  relaxar  e  curtir  a
chegada.  Seus  dias  no  mar  sempre  foram  de expectativa
e  tensão,  pelo  que  pudesse  acontecer,  uma  tempestade,
um    acidente,  e  poderia  ser  o  fim,  sem  comunicação,
talvez  nunca  mais  fosse encontrado, essa foi sua escolha,
mas estava agora, à menos de um quilômetro da praia.        
     Sua visão vislumbrava um mar brilhante entre o azul e o
verde,  a  areia,  ainda  apenas  uma  pequena  e fina faixa
branca,  que  rebrilhava  os  raios  do  sol  e  as muitas e
coloridas casas, vermelhas, amarelas, verdes e brancas.     
     A   emoção   de   chegar    era   indescritível,    seu
coração    batia    velozmente,    misturando    o   esforço
demasiado  daquele  último  dia,  à  ansiedade  e  emoção da
chegada.  Zarpou  de  um  remoto  porto  no  extremo  sul da
África,  num  barco  à  remo  de  6  metros, numa ensolarada
manhã  de  mar  agitado.  Não  portava  nenhum  aparelho  de
comunicação,  desejava  cruzar  o  oceano  como  os  antigos
navegadores,  de  olhos  fixos  no céu, nas cartas marítimas
e em sua inseparável bússola.
     Foram   97    dias    no   mar,   numa   travessia  que
parecia  não  ter  fim. Dias e mais dias no ritmo de 12 a 15
horas  de  remadas  ininterruptas,  4  horas de trabalhos no
barco  e  outras  6  para  dormir.  A  única  coisa  que viu
nesses  dias  foi  o mar, a qualquer ponto que olhasse à sua
volta.    Porém,    não    passou    por    nenhuma   grande
dificuldade,    como  tempestades  ou  o  choque  com  algum
grande    animal    marinho.  O  barco  não  sofreu  nenhuma
avaria,  estava  intacto,  igual  à  quando  partiu. Foi uma
fabulosa  façanha,  de  desafios  físicos  e  emocionais que
não imaginava poder vencer.                                 
Jac    não    diminuía    as    remadas,    ao    contrário,
aumentava-as.    A  ansiedade,  como  já  disse,  era  maior
que    seu   cansaço.  O  corpo  desacostumara-se  da  terra
firme  e  seria  normal,  sentir  tonturas quando firmasse o
pé  na  areia.  Continuaria  com  a  sensação do balanço das
ondas, ainda por muito tempo.                               
                                                            
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