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Gazeta do Povo - Curitiba - 21/08/2004


GAZETINHA DO POVO
Por Jennifer Ann Koppe

JOVENS ESCRITORES

Os futuros contadores de história

Jovens escritores revelam de que forma buscam inspiração para suas obras. Autores veteranos também compartilham suas experiências.
Para algumas crianças, escrever é bem mais do que uma simples obrigação escolar. Basta um cantinho sossegado e papel e caneta na mão para a garotada deixar a imaginação fluir e voar longe.
Luís Henrique F. Michel, 13 anos, além de escrever contos e poesias, ainda é compositor. Fã de Legião Urbana e Cazuza, ganhou o concurso de bandas do colégio com uma música de sua autoria. Escreve quando dá vontade e busca inspiração nos acontecimentos do dia-a-dia. “Quando alguma notícia chama a minha atenção, escrevo. Depende do assunto, da ocasião e da época”, aponta.
O poeta Daniel S. Koda, 11, por sua vez, busca elementos para o seu texto nos ambientes. “Antes de escrever, observo bem o lugar, penso bastante e organizo as minhas idéias”, explica. Mas apesar do talento com as palavras, Daniel pretende seguir uma profissão bem diferente. “Quero trabalhar com química ou engenharia”, conta.
Rosana Rocco, 11 anos, encontra inspiração no cotidiano e na natureza para escrever os seus contos. Fã de Pedro Bandeira, ela cria histórias desde pequena, incentivada pelos pais. Não sabe exatamente o que vai ser quando crescer, mas não quer se afastar do livros. “Quero continuar lendo e escrevendo, então talvez eu faça Direito”, planeja.
O trio, que já teve os seus textos selecionados para um livro de final de ano publicado pelo colégio, que reúne os melhores trabalhos de todas as séries, dá boas dicas para aqueles que também se interessam por literatura: ler muito, praticar bastante, pesquisar sobre o assunto e ter muita vontade.

Siga pelo caminho das pedras

Apesar de ser uma atividade fascinante, a carreira de escritor exige paciência e muita força de vontade. Hoje em dia, os autores infanto-juvenis Edison Rodrigues Filho (O Segredo da Chave) e Márcio Poletto (Jiló – Um Garoto em Perigo) não trocariam a profissão por nada, mas enfrentaram muitos obstáculos antes de terem o seu primeiro livro publicado.
“A carreira é muito difícil porque os anos passam e nem sempre você consegue as coisas que quer”, explica Edison, que também é roteirista. Apesar das dificuldades, ele confessa: “A minha vida começou de verdade, depois que passei a escrever”, avisa.
Márcio Poletto comenta que lidar com as críticas e as exigências das grandes editoras também é desgastante. “É até possível conseguir publicar o seu livro por uma editora menor, mas nem sempre o livro é bem distribuído”, avisa.
A situação talvez seja diferente para o pequeno escritor Gustavo Corsi, 8, de Maringá. O menino, autor de Junior - O Urso Policial, ainda não precisa se preocupar com esses problemas e aconselha: “Escrever faz você aprender muitas coisas, mas para isso tem que ler muito e nunca deixar de ir à escola”, orienta.

Dicas

Márcio Poletto e Edison Rodrigues Filho dão alguns conselhos para quem quer seguir a carreira de escritor:
• Ler e escrever muito.
• Não ter medo de se expressar e de mostrar o seu trabalho.
• Ter sensibilidade e estar sempre antenado.
• Curtir o que está escrevendo.
• Ser auto-crítico.
• Ter paciência. O processo de escolha, publicação e distribuição de um livro é bem lento.
• Lembrar que o leitor também é dono do texto.
• Antes de mandar o seu livro para milhares de editoras, pergunte se eles têm interesse em avaliá-lo primeiro.
• Explicar bem a sua proposta para a editora.


Diário de Assis - 15/06/2004


Saraiva - 12/05/2004


Folha Ilustrada - 19/04/2004


Correio da Bahia - 07/04/2004


Publishnews - 23/03/2004



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