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AGULHAS
uma aventura nas montanhas de Itatiaia
1 - Uma Professor Alpinista
Como o vôo de um trapezista, o jovem rapaz moreno,de vasto
sorriso, forte como um lutador, lançou-se no balanço e voou
feito gaivota. Fez rasante quase tocando o chão e depois
subiu, passou o primeiro tronco horizontal, o segundo, o
terceiro, exigiu de todos um leve movimento da cabeça para
que seguíssemos sua trajetória e, já a mais de dez metros
de altura, num salto mortal ficou em pé sobre o quarto
tronco.
Houve um momento de expectativa.Todos olharam orgulhosos e
o aplaudiram em meio a assovios e urras. Em gestos tirados
do circo, agradeceu, abriu seu majestoso sorriso e novamente
soltou-se num mesmo embalo para a viagem de volta. O balanço
veio como pedra despencada de cachoeira, fez novo rasante e
traçou um arco de cento e oitenta graus. Pousou na
extremidade oposta, perto de onde estávamos, a alguns
metros, suavemente.
O famoso balanço da casa do Sr. Jorge estava ali para quem
quisesse desafiá-lo. Muitos tentavam grandes façanhas, mas
só alguns conseguiam as maiores glórias e honrarias. Uma
enorme árvore sustentava o balanço, que prendia-se num galho
alto e comprido que suportava a única e grossa corda de
aproximadamente dez metros, que em sua extremidade mais
baixa, prendia uma estreita tabua que servia para os
trapezistas sentarem ou firmarem seus pes. Um buraco de
vinte metros de diâmetro, cavado embaixo do balanço,
funcionava como uma abóbada invertida e o balanço passava
velozmente rente ao chão, em boa parte de seu percurso. No
outro extremo, troncos de média espessura eram colocados
paralelos e horizontais, onde os trapezistas estacionavam
seus pés pés ao final da trajetória.
A sensação era de que os trapezistas saltavam para o nada,
mas lá estavam os troncos horizontais onde os incógnitos
heróis estacionavam com valentia.
................
A força das alturas, o ar mais rarefeito, puro e gelado,
dificultavam minha respiração. Devíamos estar a mais de
1.200 metros. Alguns sítios à nossa esquerda ainda
apareciam, mas já bastante dispersos. A mata foi fechando e
escurecendo a trilha, fazendo-se necessário, em alguns
momentos, do uso da pequena lanterna que emitia boa luz.
Quando Júlio apagava a lanterna, a vista escurecia e
ficávamos alguns segundos às cegas, até acostumarmos
novamente com a escuridão.
Muitos sons de água corrente eram ouvidos ao lado da
trilha, quase sempre invisíveis a nossos olhos. O ritmo das
passadas era o mesmo de quando iniciamos e já começava a me
sentir cansado. As subidas iam aparecendo uma após a outra,
e outra, e outra. Cada reta tinha aproximadamente uns cem
metros e, ao final, uma curva. Depois novamente outra reta
de uns cem metros em subida.
O desespero tentava tomar conta de mim a cada nova reta em
subida que surgia. Procurava não pensar para não desanimar.
O "pensar em nada" era impossível.Meus pensamentos quando
vagavam sempre encontravam Marcinha,musa dos cabelos negros,
corpo e olhos pequenos, de lindos pensamentos e caloroso
coração. Conheci-a numa festa logo após recente separação
de outra namorada. Estava sentado com uma amiga contando
minhas desavenças quando meu olhar foi magnetizado pela
imagem de Marcinha que entrava correndo pela porta do salão
de festas, segurando seu vestido longo, fugindo da chuva
que caía incessante. Por um breve instante vislumbrei a
perfeição, a realização de meus sonhos, o amor. Ela veio
em nossa direção pois conhecia a garota que estava a meu
lado:
- Você é de verdade? - perguntei a Marcinha.
- Será que sou apenas um sonho? Aperta a minha mão. Veja,
eu sou de verdade, sim.
Segurei sua mão e senti o calor percorrer meu corpo. Nos
conhecemos e nos aproximamos numa identificação que pouco
experimentei em minha vida. Mas foram poucos os momentos
com Marcinha,pois alguns meses depois de nos conhecermos
ela mudou da escola, de sua casa, e sumiu, não deixando
nenhuma pista. Envolto em pensamentos e esperanças de
voltar e revê-la, caminhava e esquecia das dificuldades
da trilha e das intermináveis subidas.
Já respirava com a boca aberta quando, em meio a muitas
árvores, surgiu uma outra trilha, mais estreita. Júlio
embrenhou-se nela. Para nosso alívio, uma enorme descida.
O corpo se tornara leve, os pés pareciam estar sendo
massageados. Deixei-me embalar pelo peso do corpo, parecia
flutuar e rapidamente chegamos ao final da descida. Mais
alguns passos e surgiu o abrigo Macieiras, uma forte emoção
nos invadiu:
- Mas que bela choupana! - proclamou Dimas.
- Até que enfim chegamos. Foi uma eternidade.
Sentei na entrada do abrigo, num degrau empoeirado da
escada. O abrigo Macieiras era uma pequena cabana de
madeira com varanda. A porta estava meio arrancada e pensa
para o lado direito, parecia bem arrebentado, mas era um
lugar aconchegante e sereno. Dentro dele pudemos ver o
quanto estava destruído e fomos tomados por uma enorme
tristeza.
...............
14 - Adentrando na Floresta
Uma ajuda foi necessária para ajeitar minha mochila nas
costas, e da mesma forma ajudei Jonas. A sensação do peso
parecia maior. Haveríamos de andar algum tempo para nos
acostumarmos de novo com aquela incômoda mochila. Todos
estavam a postos. Partimos rumo ao abrigo Macieiras.
Desfilamos por sobre a ponte passando pelos turistas que
nos fitavam em silêncio. Uma jovem mamãe, loira e atraente,
tirou seus óculos escuros e me fitou por alguns encantados
segundos.
A estrada seria só nossa, seus elegantes carros não
serviriam para nada. Só restaria àqueles turistas apreciar
o Rio Campo Belo, entrar em seus automóveis e voltarem aos
hotéis, passivamente.
Novamente como no ano anterior, cruzamos com a corrente
que limita a passagem de veículos. A civilização, agora era
algo distante. Em um novo mundo adentrávamos:
- A partir daqui só passam andarilhos e jipes do parque -
Apesar da placa indicativa da proibição, senti vontade de um
comentário pois era um momento importante.
As subidas começaram a aparecer,eternas, uma após a outra,
separadas por retas de mais ou menos cem metros. A
dificuldade era bem maior pois as mochilas pesavam bastante.
A velocidade, já bastante reduzida pelo cansaço, diminuía
ainda mais com o desânimo ao se descobrir uma nova subida,
zigue-zague de retas e curvas. O céu era de um azul
brilhante, sem nenhuma nuvem a manchá-lo. A altura já podia
ser sentida. Íamos a mais de mil e duzentos metros e a
trilha parecia bem diferente do que à noite, alegre e
barulhenta.
A floresta, interminável e densa, povoada por enormes
cedros, paineiras,jequitibás, sapucaias, adornada por
majestosas samambaias e belos pinheiros, e não parecia ser
possível que próximo dali, no Planalto, toda esta vasta
flora desaparecesse sendo substituída por campos altos,
pequenos e retorcidos arbustos e flores exóticas como
orquídeas terrestres, quaresmeiras, lírios e outras
infindáveis espécies de famílias. Onde estávamos, a floresta
abundante comandava a paisagem, alta e bem fechada. Escondia
também sua rica fauna de aves e mamíferos desde onças
pintadas até antas. Em meio a toda aquela riqueza de vida
nós também, por um breve tempo, faríamos parte.
A trilha continuava a subir e o suor caía em grandes
quantidades por todo meu corpo. Já andávamos há mais de
meia hora quando resolvemos dar uma parada, meia hora era o
máximo que conseguíamos andar sem interrupção:
- Que horas são? - Jonas me perguntou.
- Dez pra meio-dia.
- Nossa, o sol está a pino, estou derretendo.
Com medo do famoso frio das alturas, estávamos vestidos
com camisas de flanela, apesar do calor. A camisa protegia
melhor os ombros contra as alças da mochila. Júlio, da
outra vez que caminhamos, nos recomendou que quando
andássemos pelo mato, usássemos camisas de mangas compridas,
por causa de estranhas folhas e insetos que pudessem vir
roçar nossa pele. Ainda não estávamos em mato fechado, mas
logo poderíamos encontrar tal situação.
Deitados ou sentados, nos espalhamos pela estreita
estrada, e desfrutamos do som da floresta, solitária e
enigmática mesmo durante o dia. Um sopro forte de vento
arrepiou-me, penetrando na roupa molhada de suor. Da ponte
do Maromba até o Macieiras são nove quilômetros. Estávamos
distantes ainda seis quilômetros, e portanto haveríamos de
chegar no abrigo por volta das quatro da tarde.
..............
O Agulhas estava inteiro à nossa frente, enorme e
assustador, de um cinza claro azulado. De onde estávamos,
em sua base, não dava mais para ver o topo e a cruz. O
Agulhas já não era um ser distante, uma imagem, agora
fazíamos parte dele, estávamos dentro dele. Juliano nos
indicou a pedra da Coroa, mas não consegui distinguir
direito. Estava bem acima de nossas cabeças.
Iniciamos a subida, íngreme e cansativa. O fôlego não dava
para muitos passos, mas tinha que acompanhar meu grupo que
mantinha forte ritmo puxado por Juliano. Ganso vinha logo
atrás de mim e me pressionava para que não diminuísse a
marcha. Enormes pedras começaram a aparecer e a dificultar
ainda mais a subida. Já surgiam lances que necessitavam do
auxílio das mãos.
A pedra da Coroa era exatamente como uma Coroa, circular
e com várias pontas apontadas para o céu. Alguns cariocas
sentaram entre as pontas da coroa, como num cavalo, e
ficaram lá gritando e gesticulando. Estávamos bem alto.
De lá era possível avistar o Prateleiras quase na mesma
altura e, bem distante e pequeno, o abrigo Rebouças.
Descansamos uns quinze minutos.
Fazia muito frio provocado principalmente por ventos
bastante velozes que vinham da base da montanha e subiam.
Perfuravam qualquer tipo de roupa e gelavam e petrificavam
as mãos e o rosto. Quase não consegui acender o cigarro
tendo que colocá-lo dentro da jaqueta para poder manter a
chama do isqueiro.
Minha roupa era justa, mas o jeans parecia bem maleável e
não dava sinais de que se rasgaria. Havia amarrado o cantil
pelo passador do cinto e podia caminhar com as mãos livres.
Muitas pedras encaixadas umas nas outras marcaram o início
da escalada. Entrávamos pela calha, escura e gelada. O vento
que parecia forte no início da subida agora mostrava sua
força total pois era canalizado para dentro da calha com
impetuosidade. Tínhamos que usar as duas mãos e dobrar bem
as pernas nos lances que se sucediam. Íamos pelo lado mais à
direita da montanha na direção da cruz, por dentro da calha.
Seguiríamos por ela em mais de cem metros. Alguns abismos
surgiam à minha direita onde não se via o seu final.
Uma sequência de pequenos lances, entre pedras em forma de
abóbada, pequenas chaminés e calhas, foram facilmente
vencidas. Pude ver Jonas adiante, caminhando por sobre
várias pedras consecutivas com extremo equilíbrio e
agilidade. O mesmo não ocorria comigo que precisava de maior
concentração e morosidade para não me desequilibrar. Eu
seguia bem atrás de Juliano e fazia tudo exatamente igual.
Constantemente falava para experimentar onde pisássemos e
sentir a aderência da pedra. Pequenos abismos eram
constantes, cinco metros, buracos escuros barrancos de dez e
quinze metros bem abaixo ou ao lado de nós. Ainda estava
nervoso e apreensivo. Sempre procurava pisar firme e em
lances mais difíceis colava o corpo na pedra.
Subimos algumas calhas de uns dois metros sem o auxílio de
corda, apenas com apoio do corpo. Fica-se de costas para a
rocha e senta-se na calha com as pernas cruzadas em "X",
sempre fazendo pressão nas paredes da calha. As mãos e a
flexão das pernas fazem o movimento, e em pouco tempo, a
calha era vencida com segurança.
O avestruz, num lance isolado, relativamente fácil,
apavorado, tentava recuperar a tampa de sua máquina
fotográfica. Revelou ali porque tentou nos amedrontar tanto
durante a trilha. Ele não tinha muito controle e eu precisei
acalmá-lo naquele momento. Engatinhei até a beirada da rocha
e apanhei a tampa de sua máquina.Ele, sem dizer nada, seguiu
assustado atrás de seu grupo.
Duas enormes pedras, altas e bem próximas, formavam duas
paredes paralelas, uma chaminé com mais de dez metros. A
passagem correta era na base das pedras, por baixo, mas
Borges se exibia passando por cima de nossas cabeças,
transpondo o lance como numa chaminé. Fiquei a observá-lo
para ver como ele, astutamente, executava os movimentos na
chaminé. Sabia que teria que enfrentar uma bem difícil no
final da escalada e tinha que aprender a técnica
rapidamente. O rapaz era bom e bastante exibicionista.
Juliano deu-lhe uma tremenda bronca e pediu que descesse.
- Borges, não precisa se exibir, nós sabemos que você é
bom. Cuida do teu grupo e desce daí!
Borges estava só de camiseta e fazia muito frio. O sol
escondia-se por trás das rochas e tornava o ambiente mais
sombrio e gelado.Achei ótima a bronca de Juliano que impunha
uma liderança "civil" à expedição.
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19 - A Conquista do Agulhas
Dali não havia volta, a chaminé tinha que ser transposta.
A rampa, até a rocha do livro, era íngreme e estreita, de
mais ou menos um metro e meio de largura. À direita da
rampa, um imenso abismo sem fim à nossas vistas e, uma
forte ventania para atrapalhar ainda mais. Ventania era o
que não faltava àquela escalada. A rampa parecia um lance
fácil mas o local era perigoso.
Muitos arbustos pequenos faziam parte da rampa. Os grupos
à nossa frente subiam pela rampa, e pudemos ver que não era
tão simples como parecia. Algumas pessoas sofreram pequenos
escorregões, o que causou um certo alvoroço.
Os líderes procuravam acalmar os montanhistas e orientavam
para que firmassem bem os pés à cada lance antes de se
movimentarem. Ficamos esperando os dois grupos subirem, pois
a base da chaminé, ao final da rampa, não suportava muita
gente. Era estreita e teríamos que esperar algum tempo ali.
Sentei e fiquei a olhar a paisagem. Ao lado da rampa,
enormes blocos de rocha flutuavam, ou pareciam flutuar,
já que não era possível avistar onde se apoiavam. Não havia
ligação entre o local que estávamos e essas rochas. O vão
entre os dois lances era de infinita sensação.
O camping tinha poucas barracas e formava enormes vazios
em sua área. O Prateleiras parecia um brinquedo de tão
pequeno. Devíamos estar bem distantes, talvez cinco
quilômetros.
Já era possível avistar alguns montanhistas no topo do
Agulhas quando iniciamos a subida da rampa. Juliano pedia
atenção. O abismo, à tinha direita, era de assustar, e
cuidadosamente subia, me agarrando a arbustos e cravando
os dedos em pequenas ranhuras, que era do que dispunhamos.
Achei que o lance merecia uma cordada de segurança,mas não
foi o que ocorreu. Após dois pequenos escorregões cheguei
ao final da rampa e pude ver a chaminé que teria que subir.
Não havia perigo aparente pois o lance era feito com uma
cordada de segurança. O que causava essa sensação de medo
era a altura da chaminé e o enorme buraco escuro que havia
logo baixo, o que poderia ser um belo tombo se contássemos
os seis metros para cima e os outros indeterminados metros
para baixo. Para completar o caos mental, um vento frio
assobiava em meus ouvidos. Ainda havia várias pessoas dos
grupos dianteiros que teriam que transpor a chaminé.
Analisava cada um que subia e procurava assimilar e gravar
seus movimentos. Eram necessários mais de dez movimentos de
flexão das pernas para se alcançar o topo da chaminé. As
pessoas que subiam tinham cara de pavor. Juliano orientava
para que não olhássemos para baixo pois prejudicava a
concentração.
Do grupo dos paulistas, só eu permanecia embaixo, e a meu
lado, mais quatro montanhistas, além de Juliano. Ele me
chamou, agora era ra valer. Juliano estava em um pequeno
platô bem abaixo da chaminé, e nós, um pouco mais afastados.
Pediu que fosse junto a ele. O platô era bem estreito e,
quando saltei, ele me segurou para que não me
desequilibrasse. Abaixo de mim um enorme buraco, agora mais
nítido, era bem profundo. Passou o laço da cordada pelo meu
peito e puxou o nó para firmar bem:
- Olha, coloca seu pé esquerdo ali em cima e as costas
nesta lateral.
Juliano me indicou uma posição acima de minha cabeça para
que colocasse o pé. Era impossível, não poderia alcançar.
- Cara,não alcanço.Como vou subir?
- Calma, eu ajudo com minha mão. Vamos lá.
Tentei mas ainda faltavam uns vinte centímetros para que
alcançasse a posição. Juliano segurou meu pé e me ajudou a
posicioná-lo. No mesmo instante que alcancei a posição,
num salto, coloquei as costas na outra extremidade e o outro
pé também na rocha. Estava encaixado na chaminé sem mais
nenhum apoio no chão. A subida iria ser longa. Coloquei
meu pé direito e mãos abaixo de minhas nádegas e dei meu
primeiro impulso. Foi o movimento da desinibição. Percebi o
quanto aquele método era eficiente e me elevava com certa
facilidade. Inverti os pés colocando primeiro o pé direito
do lado oposto, e o pé esquerdo novamente abaixo de minhas
nádegas. Com as mãos e o pé subi meu corpo mais alguns
centímetros. O rapaz que fazia segurança, no alto da
chaminé, puxava a corda e ajudava a diminuir meu peso. Fiz
caretas, resmunguei, gritei e ouvi palavras de incentivo de
Juliano. Mais algumas trocas de pernas e mais centímetros
subia.
Estava na metade da chaminé,quando ela estreitou-se
bastante, a ponto de minhas pernas ficarem encolhidas. Acho
que entrei muito para o fundo da chaminé. Procurei consertar
meu rumo mais para fora o que facilitou minha subida. Quase
no topo, minhas pernas não alcançavam a parede oposta. As
paredes da chaminé não eram perfeitamente paralelas, no
fundo eram estreitas e na frente largas. Pedi que me
ajudassem puxando para cima, para que alcançasse um lugar
mais estreito. O rapaz que fazia minha segurança não
vacilou e, num forte puxão, fez meu corpo levantar, e chegar
ao final da chaminé. Outro rapaz ali estava, e com sua
ajuda, em dois lances, estava a seu lado, aliviado,
emocionado, no topo do Agulhas Negras. Não conhecia nenhum
dos dois que ali estavam mas tive vontade de abraçá-los,
afinal minha segurança dependia deles. Ainda voltei para
olhar o que havia subido e, de cima, me pareceu realmente
uma grande façanha.
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