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Marcio Poletto





Mistérios da XV de Novembro, ilustrado por
Daniel Bueno , o novo livro de Marcio, pela editora Prumo



Jac, um solitário navegador, faz a travessia do oceano Atlântico, desde a África, num barco à remo, sem rádios comunicadores, e ancora, 97 dias depois, numa praia do litoral da Bahia. Encontra uma vila abandonada, um pescador perturbado, e um enorme cemitério, onde boa parte da população está lá enterrada.



Jac - Ficção Adulta, Inédito, 1997, 220 páginas.


Leia alguns trechos do livro...



     Jac  remava   incessantemente,    os    músculos    não
respondiam  mais  ao  seu  corpo,  apenas  aos olhos, verdes
como  cristais,  que  avistavam  a  praia,  a tão distante e
esperada praia, que já procurava há muitos dias.            
     O céu  era  de  um  azul  avassalador,  o  mar  soprava
uma   brisa   morna   e   as    ondas,    para    sorte   do
navegador,    não   seriam  uma  barreira,  elas  quase  não
existiam  naquele  momento.  O  mar  e  a  brisa estavam tão
calmos    que    poderia   finalmente  relaxar  e  curtir  a
chegada.  Seus  dias  no  mar  sempre  foram  de expectativa
e  tensão,  pelo  que  pudesse  acontecer,  uma  tempestade,
um    acidente,  e  poderia  ser  o  fim,  sem  comunicação,
talvez  nunca  mais  fosse encontrado, essa foi sua escolha,
mas estava agora, à menos de um quilômetro da praia.        
     Sua visão vislumbrava um mar brilhante entre o azul e o
verde,  a  areia,  ainda  apenas  uma  pequena  e fina faixa
branca,  que  rebrilhava  os  raios  do  sol  e  as muitas e
coloridas casas, vermelhas, amarelas, verdes e brancas.     
     A   emoção   de   chegar    era   indescritível,    seu
coração    batia    velozmente,    misturando    o   esforço
demasiado  daquele  último  dia,  à  ansiedade  e  emoção da
chegada.  Zarpou  de  um  remoto  porto  no  extremo  sul da
África,  num  barco  à  remo  de  6  metros, numa ensolarada
manhã  de  mar  agitado.  Não  portava  nenhum  aparelho  de
comunicação,  desejava  cruzar  o  oceano  como  os  antigos
navegadores,  de  olhos  fixos  no céu, nas cartas marítimas
e em sua inseparável bússola.
     Foram   97    dias    no   mar,   numa   travessia  que
parecia  não  ter  fim. Dias e mais dias no ritmo de 12 a 15
horas  de  remadas  ininterruptas,  4  horas de trabalhos no
barco  e  outras  6  para  dormir.  A  única  coisa  que viu
nesses  dias  foi  o mar, a qualquer ponto que olhasse à sua
volta.    Porém,    não    passou    por    nenhuma   grande
dificuldade,    como  tempestades  ou  o  choque  com  algum
grande    animal    marinho.  O  barco  não  sofreu  nenhuma
avaria,  estava  intacto,  igual  à  quando  partiu. Foi uma
fabulosa  façanha,  de  desafios  físicos  e  emocionais que
não imaginava poder vencer.                                 
Jac    não    diminuía    as    remadas,    ao    contrário,
aumentava-as.    A  ansiedade,  como  já  disse,  era  maior
que    seu   cansaço.  O  corpo  desacostumara-se  da  terra
firme  e  seria  normal,  sentir  tonturas quando firmasse o
pé  na  areia.  Continuaria  com  a  sensação do balanço das
ondas, ainda por muito tempo.                               
                                                            
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Biografia

Mistérios da XV de Novembro, o novo livro de Marcio

Jiló, um garoto em perigo

Agulhas, o primeiro livro

Jac


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