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Jac remava incessantemente, os músculos não
respondiam mais ao seu corpo, apenas aos olhos, verdes
como cristais, que avistavam a praia, a tão distante e
esperada praia, que já procurava há muitos dias.
O céu era de um azul avassalador, o mar soprava
uma brisa morna e as ondas, para sorte do
navegador, não seriam uma barreira, elas quase não
existiam naquele momento. O mar e a brisa estavam tão
calmos que poderia finalmente relaxar e curtir a
chegada. Seus dias no mar sempre foram de expectativa
e tensão, pelo que pudesse acontecer, uma tempestade,
um acidente, e poderia ser o fim, sem comunicação,
talvez nunca mais fosse encontrado, essa foi sua escolha,
mas estava agora, à menos de um quilômetro da praia.
Sua visão vislumbrava um mar brilhante entre o azul e o
verde, a areia, ainda apenas uma pequena e fina faixa
branca, que rebrilhava os raios do sol e as muitas e
coloridas casas, vermelhas, amarelas, verdes e brancas.
A emoção de chegar era indescritível, seu
coração batia velozmente, misturando o esforço
demasiado daquele último dia, à ansiedade e emoção da
chegada. Zarpou de um remoto porto no extremo sul da
África, num barco à remo de 6 metros, numa ensolarada
manhã de mar agitado. Não portava nenhum aparelho de
comunicação, desejava cruzar o oceano como os antigos
navegadores, de olhos fixos no céu, nas cartas marítimas
e em sua inseparável bússola.
Foram 97 dias no mar, numa travessia que
parecia não ter fim. Dias e mais dias no ritmo de 12 a 15
horas de remadas ininterruptas, 4 horas de trabalhos no
barco e outras 6 para dormir. A única coisa que viu
nesses dias foi o mar, a qualquer ponto que olhasse à sua
volta. Porém, não passou por nenhuma grande
dificuldade, como tempestades ou o choque com algum
grande animal marinho. O barco não sofreu nenhuma
avaria, estava intacto, igual à quando partiu. Foi uma
fabulosa façanha, de desafios físicos e emocionais que
não imaginava poder vencer.
Jac não diminuía as remadas, ao contrário,
aumentava-as. A ansiedade, como já disse, era maior
que seu cansaço. O corpo desacostumara-se da terra
firme e seria normal, sentir tonturas quando firmasse o
pé na areia. Continuaria com a sensação do balanço das
ondas, ainda por muito tempo.
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