Escreva para
Marcio Poletto



O garoto Jiló,
ilustrado por
Rodrigo Rosa


Jiló, um garoto em perigo...

Chicão, adolescente de classe média, mora sozinho, tem um monte de amigos e adora aprontar com todo mundo. Jiló é um garotinho negro, muito pobre, que vai morar com sua mãe, num barraco, ao lado do apê do Chicão. No início, Jiló e Chicão se enfrentam como numa verdadeira guerra, mas depois tornam-se amigos inseparáveis. Porém, após uma violenta briga no barraco, Jiló desaparece e sua mãe quase morre assassinada. Chicão e seus amigos, na tentativa de desvendar o misterioso sumiço de Jiló, acabam por se envolver com um perigoso traficante de drogas, uma cartomante ligada ao rapto e comércio ilegal de crianças, um vereador corrupto e outros personagens coadjuvantes, como o furioso cachorro Sabão. Jiló é um garoto em perigo, está só e desamparado, você também se arriscaria para salvá-lo?

Jiló, um garoto em perigo - Ficção Infanto Juvenil, Editora Melhoramentos, 2004, 167 páginas.


Leia alguns trechos do livro...




                 Jiló - Um Garoto em Perigo                 
                                                            
                       Marcio Poletto                       
                                                            
  1 - O NOVO VIZINHO                                        
                                                            
                                                            
  Chicão surgiu na sala com cara de muito sono;havia acabado
de  levantar.  Caminhou, ainda zonzo, para a cozinha e pegou
uma  laranja e uma mexerica na geladeira. Voltou para a sala
e andou  até a janela. A luz do dia ofuscou sua vista e teve
de  fechar parcialmente os olhos. Do 2º andar, olhou para os
prédios,  como sempre fazia, e depois para o terreno baldio,
que ficava embaixo de sua janela.                           
  Uma  nova  visão  o  surpreendeu; um barraco havia surgido
no  meio do terreno. Um garotinho negro caminhava em volta e
chutava  uma  pequena  bola  murcha.  Chicão ficou olhando o
garoto  e, sua mente, sempre cheia de más idéias, já começou
a imaginar  alguma  forma  de  acabar  com  a brincadeira do
moleque.  No  mesmo  instante,  o  garoto,  que  só usava um
surrado  calçãozinho, olhou para cima e avistou Chicão; seus
olhares   se  encontraram  e  pareceram  faiscar.  O  garoto
encarou-o  por  alguns  instantes  e  depois  fez  um  gesto
mandando  "uma banana" para Chicão que, surpreso, não pensou
duas  vezes:  debruçou  no  beiral  da janela e "mandou" sua
laranja  para cima do garoto. Passou perto, quase o acertou,
caiu  no chão e rolou pelo terreno. O garoto correu, pegou a
laranja,  mandou  outra  "banana"  e  rumou  para  dentro do
barraco. Chicão ficou transtornado:                         
  - Moleque  safado,  você  me  paga.  No  primeiro dia e já
rouba  minha laranja! A melancia acabou ontem, senão você ia
ver só!                                                     
  Eram  seis  e meia da manhã, e Chicão tinha de correr para
pegar  a  aula  das  sete  e  meia  no Padre Miguel, colégio
particular  de  classe  média  na  zona  sul  de  São Paulo,
próximo   ao   aeroporto   de  Congonhas.  Caminhou  para  o
banheiro,  não  deu  nem  cinco  passos e ouviu um rádio ser
ligado  em  alto  volume; vinha do terreno. Deu meia volta e
retornou  à  janela.  Avistou  uma mulher, também negra, que
tentava  arrumar  alguma coisa para fazer, pois andava de um
lado  para  outro e olhava para o barraco. O rádio estava em
cima  de  uma  cadeira  velha  e  tinha uma antena enorme. O
programa  era religioso e o locutor gritava "Aleluia" a cada
cinco  segundos  de  locução.  Chicão  procurou alguma coisa
pela sala para atirar para baixo e achou um jornal velho.   
Amassou  bem, enrolou-o, chegou até a janela e gritou para a
mulher:                                                     
  - Abaixa  o  rádio,  quero  dormir!  -  bateu  o jornal no
beiral da janela.                                           
  - Ah!  Num  enche  o  saco!  -  a  moça não tinha lá muita
educação. Chicão também não!                                
  Nesse   momento,   Nanda,   amiga  e  vizinha  de  Chicão,
apareceu  na  janela  de  cima.  Ela  percebeu  o  que  iria
acontecer e resolveu intervir:                              
  - Chicão!  Não  arruma  mais  confusão  no prédio. Você já
está  bem  encrencado  por  aqui - olhou para a moça negra e
tentou  chamá-la.  -  Dona, abaixa um pouquinho o rádio, por
favor!                                                      
  A  moça  olhou  meio  insolente, colocou a mão na cintura,
foi  até  o rádio e baixou o som, deixando-o num volume mais
razoável.                                                   
  - Chicão,  sai  dessa  janela  e  vai se arrumar que eu já
estou  quase  pronta  -  os  dois  sempre  iam juntos para a
escola.  Nanda,  um  ano  mais  velha,  cursava  o 2o ano do
segundo ciclo, e Chicão o 1º.                               
  - Tá  bom!  Não precisa ficar me pajeando! - estava de mau
humor. Entrou e foi se arrumar.                             
  Alguns  minutos  depois  voltava  para a sala já arrumado.
Vestia  sua  calça  favorita, superlarga,  boné  virado para
trás   e  enormes  botas,  as  quais  adorava.  Arrumou  sua
mochila,  colocou  alguns  livros  e  cadernos  e  ia saindo
quando  sua  janela,  que  ainda  estava aberta, recebeu uma
chuva  de cascas e bagaço de laranja, que se espalharam pela
sala  e  por  cima do sofá. Obviamente só poderiam ter vindo
do  terreno,  lançados  pelo  moleque. Chicão, furioso, voou
para  a janela e só pôde ver o moleque correndo para a rua e
sumindo em disparada pelo bairro.                           
  - Você  quer  guerra!  Então  está  declarada  guerra  pra
valer!  -  a cara que fez foi de raiva mas, no fundo, estava
adorando  o  que  acabara  de acontecer. Vibrava com uma boa
disputa.                                                    
  Saiu  e  fechou  a  porta.  Desceu  correndo  as escadas e
encontrou Nanda na portaria, como sempre, à sua espera.     
  - Pô Chicão, que demora!                                  
  - Não vem me encher não, meu dia não começou bem.         
  - Você   só   arruma   confusão!   Foi   brigar   com   os
favelados...                                                
  - Eles estão com os dias contados, estamos em guerra.     
  - Guerra?                                                 
  - Guerra,  é  isso  que  você  entendeu.  O  moleque  quer
briga.                                                      
  - Mas  é  só  um  pirralho!  Não deve ter nem sete anos de
idade!                                                      
  - Mas  já  é  um marginalzinho. Se deixar essa gente fazer
o que  quer,  amanhã entram na sua casa, roubam tudo, dormem
na sua cama, usam sua roupa e comem sua...                  
  - Comem o quê? Seu sem educação.                          
  - Sua  comida,  Nanda.  Ah,  esquece,  a  briga  é minha -
enquanto conversavam, também caminhavam.                    

..................

  6 - A PUNIÇÃO                                             
                                                            
  Esse  tipo  de  notícia  se espalha muito rápido. Tinha de
impedir  que  o porteiro contasse para mais alguém. Se fosse
parar  no  ouvido  do  zelador, no mesmo dia seu pai ficaria
sabendo  e  seria  punição na certa. Se contasse para a dona
do  barraco,  seria  pior  ainda.  Precisava  "comprá-lo" de
algum  jeito.  Mandou  uma  mensagem  para  os  celulares da
turma:  "Porteiro  sabe  de tudo, achou o chumbo. Preciso de
ajuda.  Chicão".  A  mensagem  chegou  e  deixou um sinal de
preocupação   em   todos.   Mas  o  que  poderiam  fazer?  O
apartamento  era do Chicão, o tiro foi ele quem deu, a briga
foi  ele  quem  arrumou, então, concluíram todos, ele que se
vire!                                                       
  Chicão  ficou  remoendo-se  a  tarde  inteira, e nenhum de
seus  amigos  o procurou: "Desgraçados, bichonas, querem que
só  eu me dane, né? Vão ver só". O telefone tocou, ele ficou
com  medo  de  atender, poderia ser o zelador, ou um de seus
amigos,  mas  também  poderia  ser  seu  pai,  mesmo  assim,
resolveu atender:                                           
  - Alô.                                                    
  - Filho?  -  era  o  pai. Italiano, com forte sotaque. "Tô
danado", pensou.                                            
  - Oi pai, tudo bem? - já tremendo.                        
  - Tudo, e com você, tudo bem?                             
  - Tudo, pai, tava estudando.                              
  - Estudando?  Ah,  mas não é o que seu Humberto me contou,
eco - seu Humberto era o zelador.                           
  - O que ele contou?                                       
  - Que você andou aprontando mais uma das suas.            
  - Não  foi  nada  não  pai, só uma brincadeirinha - suando
frio.                                                       
  - Brincadeirinha  é!  Parece  que  inundou  o  barraco  do
terreno  ao lado, e com a espingarda que teu pai te deu. Não
é uma  coisa  correta,  não é, filho - Chicão não respondeu,
estava mudo.                                                
  - Não é, filho? - num tom mais forte.                     
  - Éééé sim, pai - gaguejando.                             
  - Tá   certo  que  as  tentações  são  grandes,  uma  bóia
exposta,  um  vizinho  novo,  talvez  não desejado, amizades
erradas. E quando a gente vê, o tiro já foi. Eu sei como é. 
  - Você sabe, pai? - com alguma esperança de escapar.      
  - Eu  sei,  filho,  eu  também  aprontei das minhas quando
tinha a sua idade, mas...                                   
  - Mas o quê, pai? - quase chorando de nervoso.            
  - Mas  meu  pai  sempre  me dava um castigo. Eu aprontava,
achava  o  máximo e depois vinha a punição. É a lei da vida,
filho.                                                      
  - É, pai? E ...                                           
  - E  você  vai comprar uma bóia nova, vai bater no barraco
da moça, vai pedir desculpas, trocar a bóia e...            
  - Trocar a bóia? Pô, tudo menos isso!                     
  - E   não  acabei  ainda  -  o  pai  falou  num  tom  mais
enérgico.  -  Vai  pegar metade de sua mesada e vai dar para
ela.  Deve  ter  molhado  tudo  por  lá, estou certo? Talvez
tenha  perdido  muita  coisa.  Gente  pobre,  filho, não tem
nada, se perde alguma coisa, a desgraça é ainda maior.      
  - A mesada, pai? Mas estamos no começo do mês!            
  - É,  filho,  a  mesada,  e  vê  se manera um pouco. Estou
cheio  de  problemas  aqui  na  empresa  e ainda tenho de me
preocupar para ajeitar suas encrencas.                      
  - Tá bom, pai - desconsolado.                             
  - Tchau, filho. No fim de semana a gente passa por aí.    
  - Tchau, pai.                                             
  O  pai  desligou  o  telefone  e  soltou  uma  gargalhada:
"Esses  meninos  de  hoje  são fogo! Atirou na bóia da caixa
d'água". E riu novamente.                                   
  Chicão  estava  arrasado.  E sua fama de mau, seu orgulho,
o que   iriam   dizer?  Ele  em  cima  do  barraco.  Ah,  os
traidores!  Estavam atravessados em sua garganta. O telefone
tocou de novo:                                              
  - Alô.                                                    
  - Filho,  sou  eu  de  novo.  E  não  quero saber de outro
trocando  a  bóia. Você furou, você troca. Tchau - e bateu o
telefone.                                                   
  - Droga!                                                  

...........

  Chicão  viu  Nanda  entrando  de  volta no prédio e gritou
novamente para ela:                                         
  - Nanda, o Sabão está aqui!                               
  Ela  olhou  para  cima  e viu Chicão perigosamente sentado
na janela:                                                  
  - Seu louco, o que você está fazendo aí?                  
  - O Sabão está aqui na sala. Sobe logo.                   
  - Nossa, deixei a porta aberta!                           
  Saiu  correndo  e  segundos  depois  apareceu  no  apê  do
Chicão  já segurando a coleira da fera. E o que viu também a
intrigou:                                                   
  - O que ele está comendo?                                 
  - Acho que é maconha - esclareceu Jonas.                  
  - Maconha?  Chicão,  o  que  é  isso? Fumando maconha? Mas
era só o que faltava...                                     
  - Nããoo!  Não  sei  nada  dessa  maconha!  -  assustado  e
nervoso com a acusação dela.                                
  - Não sabe?                                               
  - Tira  logo  esse  animal  daí!  Pare  de perguntar sobre
maconha. Depois a gente vê isso.                            
  - Calma.  Vou  tentar  laçá-lo  -  ela caminhou para perto
dele.                                                       
  O  bicho  não  a  respeitava  muito.  Já  tentara mordê-la
várias  vezes,  mas  ela  sempre  batia  nele  com uma cinta
quando  ele  a ameaçava. E, pensando na possibilidade de ele
avançar,  tirou  a  cinta  que prendia sua calça e a segurou
com uma mão enquanto a outra segurava a coleira.            
  A   laçada   foi  fácil.  Sabão  estava  quase  desmaiado,
sonolento.  Havia  ingerido  todo  o  pacote.  Nanda teve de
carregá-lo  no colo de tão mole que estava. Antes de sair do
apê, avisou:                                                
  - Eu  já  volto.  Quero  saber  essa  história  de maconha
direitinho,  viu,  Chicão?  -  olhou  para  ele que só agora
descia do parapeito da janela.                              
  A  maconha  havia  vencido a fera. Jonas e Huguinho também
saíram  do  quarto  e,  após  Nanda  fechar a porta da sala,
foram  os  três  direto  ver de perto o que tinha sobrado do
pacote,  que  agora  resumia-se a um enorme pedaço de papel,
todo  sujo  com  a baba do cão e fiapos de maconha. Jonas se
antecipou,  pegou  o  papel  e  o  amassou. Logo em seguida,
chegou Nanda já cobrando de Chicão explicações:             
  - Chicão, que história é essa de maconha?                 
  - Eu não sei, já disse.                                   
  - Como  não  sabe? Como que essa coisa foi parar aí dentro
do banco?                                                   
  - Foi plantada.                                           
  - Plantada?                                               
  - É, alguém colocou aí.                                   
  - Quem?                                                   

...................

  Alice   logo   percebeu  que  a  fantasia  não  era  muito
apropriada,  pois  a  maioria das pessoas mostravam o rosto,
mas ela tinha de se esconder para que o plano desse certo.  
  Pouco  tempo  depois  chegaram  os garotos. O pai de Jonas
trouxe  a  turma toda no furgão da família. Huguinho teve de
vir  sozinho no último banco, pois, além do seu já conhecido
tamanho  avantajado,  veio  fantasiado  de  repolho, e ficou
maior  ainda.  Jonas  e  Plínio vieram de Frajola e Piu-piu,
respectivamente,  e Chicão, de demônio da Tasmânia, e estava
realmente  horrível, pois sua cara às vezes surgia de dentro
da  enorme  boca  do  monstro.  Ao seu lado, sempre segurado
pelo  braço,  um  estranho, bem menor que ele, fantasiado de
Pernalonga;  era  o  convidado  surpresa. E Nanda? Não veio,
pois  Murilo não deixou. Ela ficou com muita vontade de vir,
era  festa  de  gente rica, onde tudo de diferente acontece.
Ficou  em  casa  com  sua mãe, Murilo e Jiló assistindo a um
novo vídeo, recentemente lançado.                           
  Desceram.  Jonas  foi  na  frente e estava muito estranho,
pois a roupa era um número maior que o seu, e tudo  sobrava.
Logo  atrás seguiram Plínio, Huguinho, Chicão e o misterioso
Pernalonga,  preso  pelo  braço. Parecia meio zonzo. Teve de
ser ajudado quando chegaram na longa escadaria.             
  Apresentaram   os   convites   e  entraram,  apesar  de  o
porteiro  ter  estranhado  um  pouco  o fato de Chicão estar
agarrado  ao  desengonçado coelho. Caminharam por um extenso
gramado, que passava ao lado de inúmeras janelas e portas.  
  Atrás  da enorme construção, os convidados movimentavam-se
ao  lado  de  uma  grande  piscina  e para dentro da mansão.
Muitos garçons  caminhavam  apressados com bandejas repletas
de  gostosos  aperitivos  e  bebidas diversas. Huguinho logo
cercou um deles e abocanhou alguns canapés.                 
  - Já começou a comilança? - perguntou Jonas.              
  - Tô com fome.                                            
  - Imagina  o  quanto  vai  ter  de  comer  pra encher esse
repolho!                                                    
  - Deixa  minha  fantasia.  Era  a única que tinha de corpo
inteiro e que me servia.                                    
  - Mas  repolho!  Faz  de conta que a gente não se conhece,
tá?                                                         
  - Pô,  eu  sempre  fico  com  o  pior em tudo! - na cabeça
ainda  tinha  umas  folhagens  que  caíam  sobre  sua  cara.
Alice logo os reconheceu e caminhou até onde estavam.       
  - Meninos, oi, sou eu, Alice.                             
  Plínio foi na sua direção:                                
  - Alice, que fantasia legal!                              
  - Gostou?  Era  a  mais  fechada  que  achei.  Não estou à
vontade com ela. Na verdade, estou me sentindo ridícula.    
  - Não! Tá legal...                                        
  - Vocês também estão muito... - ameaçou rir e continuou.  
  - ...engraçados - e riu de verdade. Plínio a acompanhou.  
  - Preferimos não revelar nossa identidade.                
  Não  estavam  nada  charmosos  naquela noite e formavam um
casal quase perfeito.                                       
  - Quem  é  aquele  cara  agarrado  ao  Chicão? - perguntou
Alice.                                                      
  - É o tal, o que irá no seu lugar.                        
  - E quem é?                                               
  - Eles não quiseram me falar.                             
  - Mas parece ser mais novo que nós...                     
  - É, parece.                                              
  - O que eles estão aprontando?                            
  - Só vamos saber mais tarde.                              
  Nesse   momento,   aproximou-se   Jonas,   depois  de  ter
conversado algo com Chicão.                                 
  - Oi, Alice.                                              
  - Oi, tudo certo?                                         
  - Por enquanto sim. O cara é aquele ali.                  
  - E quem é?                                               
  - É  melhor  não  falar  nada.  Pode ter alguém de olho na
gente.  O plano é o seguinte: você vai fingir que bebeu mais
do que o normal e vai ficar bêbada.                         
  - Mas...                                                  

...................

  - Jiló, fica aí! Ainda tem inimigo lá fora.               
  O garoto tratou de voltar ao seu posto.                   
  - Preparar plano dois! - gritou para Jiló.                
  - Certo, general! - ele respondeu.                        
  O  garçom,  sem  saber o que fazer, ameaçou invadir a sala
para  tirar  Zecão  de  lá.  Chicão,  com  sua espingarda de
chumbo  apoiada  no  ombro,  usou  de  sua já conhecida mira
perfeita  e acertou a bunda do garçom. Ele saltou feito gato
e saiu em disparada do apê.                                 
  - Ai, minha bunda!                                        
  - Boa, Chicão! - gritou Samuca.                           
  - Chumbo   na   bunda   dele,   general!   -   pulou  Jiló
entusiasmado.                                               
  O  garçom  aproveitou  e  se  mandou do prédio. Era o mais
sensato a fazer.                                            
  O  filho  de  Margot,  também  furioso, e sem medo de mais
nada,  resolveu  invadir  o  apê. Tinha um canivete afiado e
entrou  na  sala  correndo. Chicão ainda armava a espingarda
para  novo  tiro.  Samuca  não teve coragem de atirar, nunca
havia  estado  numa  situação  daquelas  e  ficou paralisado
diante  do  perigo  iminente. O garoto veio na direção dele,
pois   percebeu  sua  paralisia  momentânea.  Chicão  gritou
novamente para Jiló:                                        
  - Jiló,  solta  o  bicho!  -  Chicão levantou-se já pronto
para lutar com o garoto enfurecido.                         

.................


		 


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Biografia

Jiló, um garoto em perigo

As andanças de Marcio e Jiló

O que dizem por aí

Agulhas, o primeiro livro


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